Participação de lojas digitais e marketplaces na cesta de limpeza passou de 4% para 7% em um ano; preço, conveniência e frete entram na decisão de quem cuida da casa
A compra de produtos de limpeza começa a ganhar espaço na rotina digital dos brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional sobre a Informalidade em Produtos de Limpeza, realizada pela ABIPLA e pela ABRALIMP, a participação de lojas online e marketplaces sem espaço físico nas compras da cesta de limpeza passou de 4% em 2024 para 7% em 2025. O canal ainda representa uma parcela pequena da categoria, mas o avanço indica uma mudança no modo de repor os itens da casa.
A lista feita antes de sair para o supermercado agora também pode ser consultada pelo celular. Em uma pesquisa da Neogrid com o Opinion Box, 77% dos consumidores disseram combinar lojas físicas e canais digitais nas compras de rotina. Já um estudo da NielsenIQ aponta que 80% planejam suas compras previamente e 66% passaram a buscar opções de menor preço. Os levantamentos tratam do consumo em geral e ajudam a contextualizar a compra de itens de limpeza, mas não medem exclusivamente essa categoria.
Para Mauro Silveira, diretor executivo da Klivex, o ambiente digital pode facilitar uma comparação que já faz parte da rotina de quem administra a casa. “A compra de produtos de limpeza está ficando mais planejada. Pelo celular, o consumidor consegue conferir preços, avaliar o tamanho das embalagens e organizar a reposição dos itens que usa com frequência. Por isso nos preocupamos em conciliar o digital com o físico, ter um estoque estratégico e um ambiente agradável para o consumidor. Na decisão final, ele considera o custo total da compra, incluindo o frete”, afirma.
O supermercado segue relevante. Em pesquisa conduzida pelo Opinion Box para a Flora, 67% dos entrevistados citaram o supermercado como local de compra de itens de higiene pessoal e limpeza. O mesmo estudo mostrou que 40% priorizam soluções rápidas para manter os ambientes organizados. A possibilidade de reunir todas as compras em um só lugar ajuda a explicar por que a loja física continua presente nessa jornada.
A conveniência da internet também tem limites práticos. Em um levantamento sobre compras online em geral, feito pela CNDL, SPC Brasil e Offerwise, 40% dos consumidores apontaram o preço mais baixo como vantagem do canal, enquanto 30% citaram a comodidade. Por outro lado, 37% mencionaram o custo do frete como desvantagem. Em produtos de limpeza, vendidos muitas vezes em embalagens grandes ou pesadas, comparar apenas o preço anunciado pode não mostrar qual opção custa menos ao consumidor.
“O desafio para as empresas é tornar essa comparação simples. Quem compra quer saber quanto o produto rende, quando vai recebê-lo e quanto pagará pela cesta completa. Informações claras ajudam o consumidor a escolher com mais segurança, seja para comprar pela internet ou na loja.”, diz Mauro.
O avanço digital, portanto, abre uma pauta que vai além do hábito de comprar pelo aplicativo: como a tecnologia está mudando a forma de planejar, comparar preços e abastecer a casa. A reportagem pode acompanhar consumidores montando a mesma cesta de limpeza no supermercado e pela internet, comparando preço dos produtos, frete, prazo de entrega e custo por unidade ou volume, sem esquecer do atendimento cordial no ambiente físico.
