Biomédica Simone Silva destaca a importância do autocuidado, da atenção à pele e de escolhas responsáveis para o bem-estar masculino
A consulta adiada, o protetor solar esquecido, o desconforto que se torna habitual. Entre o trabalho e as responsabilidades familiares, muitos homens acabam deixando a própria saúde para depois. O Novembro Azul abre espaço para rever essa rotina e lembrar que cuidar de si precisa ser um compromisso durante todo o ano.
Embora seja amplamente associada ao câncer de próstata, a campanha propõe uma conversa que vai além da doença. O Ministério da Saúde inclui nessa abordagem a saúde mental, a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, o acompanhamento de diabetes e hipertensão e a promoção de hábitos saudáveis. O objetivo é aproximar os homens dos serviços de saúde e do cuidado contínuo.
Para a biomédica Simone Silva, que atua na área de estética em Guarulhos, essa mudança começa quando o homem reconhece que também precisa reservar tempo para si. “O Novembro Azul é uma oportunidade de conscientizar os homens de que cuidar da saúde deve ser uma prioridade durante todo o ano. Mais do que falar sobre prevenção de doenças, precisamos incentivar o autocuidado, a atenção aos sinais do corpo e o acompanhamento médico”, afirma.
Na experiência da profissional, o interesse masculino pelos cuidados com a aparência tem se tornado mais frequente. Ela observa que muitos chegam ao atendimento em busca de resultados discretos, que respeitem suas características. “Percebo um interesse crescente dos homens pelos cuidados com a aparência. Muitos procuram tratamentos discretos, que proporcionem uma aparência descansada e natural”, relata.
Simone ressalta, porém, que o cuidado pode começar com atitudes simples, sem depender de procedimentos. Higienizar a pele adequadamente, manter a hidratação e incorporar a proteção solar à rotina estão entre suas orientações. “Recomendo começar pelo essencial: higienização adequada, hidratação e uso diário de protetor solar com FPS 30 ou superior. Também é importante observar alterações na pele e procurar avaliação profissional quando necessário”, orienta Simone.
A recomendação de FPS 30 ou mais está alinhada às orientações do Ministério da Saúde. A proteção também envolve evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h e recorrer a sombra, roupas e acessórios adequados.
O cuidado com a aparência começa pela saúde
Quando existe interesse em um tratamento estético, a avaliação individual deve anteceder qualquer decisão. Histórico de saúde, possíveis contraindicações e expectativas precisam entrar na conversa, assim como os riscos e os limites de cada intervenção. “Antes de indicar qualquer procedimento, precisamos conhecer seu histórico de saúde, avaliar possíveis contraindicações e explicar os benefícios, riscos e limitações do tratamento. A segurança deve estar sempre em primeiro lugar”, destaca a biomédica.
A escolha do profissional também merece atenção. Simone recomenda buscar pessoas devidamente habilitadas, que atuem dentro de suas competências legais, além de verificar as condições de higiene do local e a procedência dos produtos utilizados.
Sua maneira de atender, conta, tem relação com o início da trajetória profissional. “Iniciei meu trabalho de maneira simples, com poucos recursos, mas com muita dedicação e vontade de crescer. Essa experiência me ensinou que cada paciente merece respeito, atenção e acolhimento.”
O acolhimento inclui compreender que a relação com o espelho não explica, sozinha, o bem-estar de uma pessoa. Na avaliação da biomédica, a estética pode contribuir para a autoconfiança, mas não deve concentrar todas as expectativas de transformação pessoal. “A autoestima faz parte do bem-estar emocional, mas não deve depender exclusivamente da aparência. Os cuidados estéticos podem contribuir para a autoconfiança, porém não substituem o acompanhamento psicológico ou médico quando necessário”, afirma.
No caso do câncer de próstata, é importante estar atento aos exames prévios. O Instituto Nacional de Câncer e o Ministério da Saúde não recomendam o rastreamento populacional, que consiste na realização sistemática de exames em homens sem sinais ou sintomas. Quem deseja realizá-los deve conversar com o médico sobre benefícios e riscos para uma decisão compartilhada. A presença de sinais ou sintomas, por sua vez, exige avaliação e investigação adequada.
O convite do Novembro Azul é transformar a conscientização em atitudes possíveis: buscar orientação, retomar um acompanhamento adiado e falar sobre dificuldades que afetam a rotina. “Não esperem sentir algum desconforto para prestar atenção à saúde. Reservem um tempo para o acompanhamento médico, a saúde emocional e os cuidados pessoais”, conclui Simone.
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